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sábado, 9 de maio de 2026

Topografia: Reconstituição de Poligonais Topográficas


Reconstituição de Poligonais Topográficas


A reconstituição de poligonais topográficas consiste no processo de reconstrução dos elementos geométricos de um levantamento topográfico a partir das coordenadas conhecidas dos vértices da poligonal. Esse procedimento é amplamente utilizado em situações nas quais os dados originais de campo, como cadernetas de levantamento, observações angulares ou anotações de distâncias, foram perdidos ou não estão mais disponíveis.

Na Topografia, a poligonal representa uma sequência de alinhamentos interligados por vértices materializados em campo. Esses alinhamentos possuem características geométricas fundamentais, como distância horizontal, rumo, azimute e ângulos horizontais. Quando as coordenadas dos vértices são conhecidas, torna-se possível determinar novamente todos esses elementos por meio de cálculos matemáticos e trigonométricos.

O levantamento topográfico tem como principal finalidade fornecer subsídios técnicos para a elaboração da planta topográfica, que corresponde à representação gráfica de uma parcela do terreno em uma superfície plana, simulando sua visualização vertical. A partir dessa representação, torna-se possível realizar análises territoriais, parcelamentos, projetos de engenharia, regularização fundiária e diversas outras aplicações técnicas.


1. O que é uma poligonal?

Uma poligonal topográfica é formada por uma sequência de alinhamentos conectados entre si. Os vértices representam os pontos ocupados durante o levantamento, enquanto os alinhamentos correspondem às linhas que unem dois vértices consecutivos. As poligonais podem ser classificadas em:


1.1 Poligonal Fechada

O último vértice coincide com o primeiro, permitindo o controle do erro angular e linear.


1.2 Poligonal Enquadrada

É apoiada entre dois pontos de coordenadas conhecidas, possibilitando verificação de precisão.


1.3 Poligonal Aberta

É aquela cujo ponto final não coincide com o ponto inicial e não possui controle geométrico de fechamento.


2. Elementos fundamentais da reconstituição

A reconstituição de uma poligonal normalmente busca determinar:

  • Rumos.
  • Azimutes.
  • Distâncias.
  • Ângulos horizontais.

Todos esses elementos podem ser obtidos a partir das coordenadas dos vértices.


3. Exemplo resolvido

Reconstituir a poligonal definida pelas coordenadas descritas no quadro abaixo.

ID
Coordenadas
E (m)
N (m)
P01
743.954,246
9.440.853,837
P02
743.939,495
9.440.753,190
P03
743.904,290
9.440.806,235
P04
743.896,683
9.440.864,320

3.1 Determinação dos Rumos

O rumo é o menor ângulo formado entre a linha norte-sul e o alinhamento. O rumo é um ângulo que varia de 0° a 90°.

De posse das coordenadas dos vértices, matemáticamente, o rumo é determinado conforme a equação:

Em que, para um determinado alinhamento definido por dois pontos com coordenadas (E,N):

  • ΔE = Efinal - Einicial
  • ΔN = Nfinal - Ninicial

Os sinais dessas diferenças permitem identificar o quadrante do alinhamento.

Ou seja:

Quadrante
Sufixo
Condição
NE
ΔE (Positivo)
ΔN (Positivo)
SE
ΔE (Positivo)
ΔN (Negativo)
SW
ΔE (Negativo)
ΔN (Negativo)
NW
ΔE (Negativo)
ΔN (Positivo)

3.1.1 Rumo do Alinhamento P01-P02

Analogamente determinamos os rumos dos demais alinhamentos.


3.1.2 Rumo do Alinhamento P02-P03


3.1.3 Rumo do Alinhamento P03-P04


3.1.4 Rumo do Alinhamento P04-P01


3.2 Determinação dos azimutes

O azimute é o ângulo horizontal medido no sentido horário a partir do Norte, variando entre 0° e 360°.

A conversão entre rumo e azimute depende do quadrante do alinhamento.

Ou seja:

Quadrante
Sinal
Rumo
Constante
Azimute
ΔE (+)
ΔN (+)
Rumo
ΔE (+)
ΔN (-)
180°
Rumo + 180°
ΔE (-)
ΔN (-)
180°
Rumo + 180°
ΔE (-)
ΔN (+)
360°
Rumo + 360°

O azimute é extremamente importante na Topografia, pois define a orientação completa do alinhamento dentro do sistema de coordenadas.


3.2.1 Azimute do Alinhamento P01-P02

Como:

  • ΔE = -14,751 m (Negativo)
  • ΔN = -100,647 m (Negativo)

Temos um Rumo de 3º quadrante, assim: C = 180°.

Analogamente determinamos os azimutes dos demais alinhamentos.


3.2.2 Azimute do Alinhamento P02-P03


3.3.3 Azimute do Alinhamento P03-P04


3.3.4 Azimute do Alinhamento P04-P01


3.4 Determinação das distâncias

A distância é o comprimento do segmento de reta que liga dois pontos.

A distância horizontal entre dois vértices é obtida pelo Teorema de Pitágoras:


3.4.1 Distância entre os vértices P01-P02

Como:

  • ΔE = -14,751 m
  • ΔN = -100,647 m

Temos:

Analogamente determinamos as distâncias dos demais alinhamentos.


3.4.2 Distância entre os vértices P02-P03


3.4.3 Distância entre os vértices P03-P04


3.4.4 Distância entre os vértices P04-P01


3.5 Determinação dos ângulos

Os ângulos horizontais medidos em topografia podem ser Externos ou Internos a poligonal. Os ângulos são determinados a partir da diferença entre os azimutes consecutivos dos alinhamentos.

Quando o caminhamento da poligonal e os ângulos medidos são no mesmo sentido, temos:

Em que:

  • Azij = azimute de um alinhamento.
  • Azij-1 = azimute do alinhamento anterior.
  • αe = ângulo medido (no caso da poligonal do exemplo: ângulo externo).

Isolando o ângulo externo:

Assim:

Agora, quando o caminhamento da poligonal e os ângulos medidos são em sentidos opostos, temos:

Em que:

  • αi = ângulo medido (no caso da poligonal do exemplo: ângulo interno).

Isolando o ângulo interno:

A condição de (+) ou (-) 180°, é a mesma já descrita anteriormente.

Em ambos os casos, dependendo do resultado obtido:

  • Se o valor for maior que 360°, subtrai-se 360°.
  • Se o valor for negativo, adiciona-se 360°.

3.5.1 Ângulo externo do vértice P01


3.5.2 Ângulo externo do vértice P02


3.5.3 Ângulo externo do vértice P03


3.5.4 Ângulo externo do vértice P04


3.5.5 Verificação

Para verificar se os cálculos dos ângulos estão corretos, basta realizar o somatório dos resultados e compará-los com o somátorio dos ângulos de uma poligonal geométricamente fechada com a mesma quantidade de vértices.

Para o caso da poligonal do exemplo: Equação para a determinação da soma dos ângulos externos de uma poligonal fechada com 4 vértices.

Agora, somando os ângulos encontrados em nossos cálculos:


3.5.6 Ângulos internos dos do vértices

Dever de casa...


3.6 Caderneta de Campo do Levantamento


4. Aplicações da reconstituição de poligonais

A reconstituição de poligonais possui ampla aplicação prática em:

  • Regularização fundiária.
  • Georreferenciamento.
  • Cadastro técnico
  • Engenharia civil.
  • Parcelamento do solo.
  • Perícias técnicas.
  • Recuperação de levantamentos antigos.
  • Atualização de plantas topográficas.

Em muitos casos, os levantamentos antigos possuem apenas as coordenadas dos vértices armazenadas em arquivos digitais ou documentos cartográficos. Nesses cenários, a reconstituição torna-se essencial para recuperar informações geométricas do levantamento original.


5. Considerações finais

A reconstituição de poligonais topográficas é uma importante ferramenta da Topografia e da Engenharia Cartográfica. Por meio dela, é possível recuperar os principais elementos geométricos de um levantamento utilizando exclusivamente as coordenadas dos vértices.

Além de permitir a reconstrução de rumos, azimutes, distâncias e ângulos horizontais, esse procedimento também auxilia na conferência de levantamentos antigos, elaboração de plantas, análises cadastrais e regularização territorial.

O domínio dessa técnica é fundamental para profissionais que atuam com levantamentos topográficos, georreferenciamento, cartografia e parcelamento territorial, pois garante maior capacidade de interpretação e reconstrução de informações espaciais mesmo na ausência dos registros originais de campo.



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segunda-feira, 2 de março de 2026

Topografia - Roteiro para o cálculo de uma poligonal enquadrada.


Fala galera do Blogger, beleza?. Então, dando continuidade ao nosso conteúdo sobre Topografia, hoje vamos abordar o roteiro para o cálculo de uma poligonal enquadrada, pelo método analítico. Mas, antes, vamos aquela velha revisão.

Pois bem, na postagem "Topografia - Levantamento Planimétrico: Poligonação", vimos que as poligonais topográficas podem ser de três tipos:


  1. Fechadas - Que permitem o cálculo, verificação e correção de erros angulares e lineares.
  2. Enquadradas - Que permitem o cálculo, verificação e correção de erros angulares e lineares.
  3. Abertas - Que não permitem o cálculo, verificação e correção de erros angulares e lineares.

Assim, na postagem anterior, realizamos todo o processo de cálculo, verificação correções de erros para uma poligonal fechada. Hoje, vamos abordar a matemática envolvida para o cálculo de erros e ajustes de uma poligonal enquadrada.



Topografia - Roteiro para o cálculo de uma poligonal enquadrada


De forma resumida, o roteiro para o cálculo de uma poligonal topográfica enquadrada consiste em:

  1. Cálculo do erro angular, verificação da tolerância e correção do erro angular.
  2. Cálculo dos azimutes dos alinhamentos.
  3. Cálculo das projeções relativas.
  4. Cálculo do erro linear e verificação da tolerância.
  5. Cálculo das correções das projeções e projeções corrigidas.
  6. Cálculo das coordenadas planas dos pontos de interesse.
  7. Cálculo dos azimutes corrigidos e cálculo dos lados corrigidos.

Então, a melhor forma de se aprender Topografia é realizando cálculos na prática, dito isso vamos ao exemplo de hoje:

Exemplo: (VERAS, 1997). Foi realizado um levantamento topográfico a partir do método poligonação (poligonal enquadrada, com medição de ângulos horizontais horários) conforme croqui apresentado. Os resultados das medições em campo encontram-se no caderneta de campo apresentada.

OBS: Para o presente exemplo, iremos desconsiderar os cálculos das tolerâncias, tanto angular como linear. Detalhes sobre esses cálculos podem ser vistos AQUI!!

Então, vamos lá.

1. Cálculo do erro angular, verificação da tolerância e correção do erro angular.


O erro angular em uma poligonal enquadrada é determinado por:

Em que:

  • Azfinal_𝐶𝑎𝑙 = Azimute final cálculado pelos ângulos medidos.
  • Azfinal = Azimute final conhecido.

Desta forma, a primeira ação a ser realizada é o cálculo do azimute final pelas duas formas.

a) Cálculo do Azimute Final

Observem que, o caminhamento desta poligonal se inicia de B para A, na sequência para M1, M2, ..., M10, I e J. No entanto o azimute dado na questão é de A para B. Destar forma precisamos calcular o azimute inicial do caminhamento. Mas, vejam que, como não temos as coordenadas do ponto B, não é possível aplicar a formulação do Rumo para determinar este azimute, no entanto, aqui, basta aplicarmos o conceito de contra-azimute. Que basicamente indica a direção oposta de um azimute conhecido.

Assim, facilmente calculamos o Azimute de B para A.

Azinicial = AzAB + 180° = 320°50'46" + 180° = 500°50′46" − 360° = 140° 50'46"

Agora iremos calcular os somátório dos ângulos medidos em campo:

Σα = 173°58’32” + 182°40’30” + 139°56’00” + … + 109°02’00” + 196°00’00” + 217°41’26” + 110°57’00”
Σα = 2063°39'33"

De posse dessas informações, agora podemos calcular o azimute final:

Azfinal_𝐶𝑎𝑙 = 140°50'46" + 2063°39'33" - 12 x 180° = 44°30'19"

Alguns mais curiosos devem estar se perguntando: "Como assim Deniezio, pq só 12 o número de vertices?" A resposta é simples, tanto o ponto B como o ponto J, serviram apenas de apoio, no caso o instrumento (estação total/teodolito) não foi estacionado sobre eles.

b) Cálculo do erro angular.

O erro angular em uma poligonal enquadrada é dado por:

Assim:

Ea = 44°30'19"− 44°31'08" = -00°00'49"

c) Correção angular.

De posse do erro angular, a próxima etapa é a determinação da correção angular, ou seja, é determinar o quanto será compensado, igualmente, em cada ângulo, afim de eliminar o erro angular.

Ca = - (-49" / 12) = 4,08"

d) Ângulos horizontais corrigidos.

Para determinar os ângulos corrigidos, basta somar a cada ângulo medido em campo o valor da correção (4,08").

Desta forma temos:

2. Cálculo dos azimutes dos alinhamentos.

Já é de nosso conhecimento que, em trabalhos com poligonais topográficas, o azimute de um alinhamento é determinado pelo azimute do alinhamento anterior e o ângulo horizontal medido conforme a equação:

Assim:</>

3. Cálculo das projeções relativas

O cálculo das projeções relativas estabelece a relação entre os azimutes dos alinhamentos e as distâncias obtidas em campo. Admitindo que o levantamento esteja orientado em relação ao norte magnético ou ao norte verdadeiro, essa direção é adotada como coincidente com o eixo das ordenadas (Y). Consequentemente, o eixo das abscissas (X) é definido perpendicular a esse, formando um sistema de eixos cartesianos ortogonais.

Substituindo para os valores que temos:

4. Cálculo do erro linear (EL) e verificação da Tolerância Linear

4.1 Erro linear

Assim:

x = 1.897,247 – (17.476,084 – 15.578,475)= −0,362 m
y = −1.003,372 – (1.458,035 – 2.463,107) = 1,700 m

5. Cálculo das correções das projeções e projeções corrigidas


5.1 Correções das projeções

Desta forma:


5.2 Projeções corrigidas

Substituindo


6. Cálculo das coordenadas planas dos pontos de interesse


6.1 Coordenadas dos vértices


7. Cálculo dos azimutes corrigidos e distâncias corrigidas

Fica como dever de casa...


Referências


ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13133: Execução de levantamento topográfico. Rio de Janeiro, 1994.
CARDÃO, Celso. Topografia. Belo Horizonte: Ed. Arquitetura e Engenharia, 1970.
COMASTRI, J. A. Topografia Planimetria. Viçosa: IUUFV, 1977.
ESPARTEL, Lélis. Curso de Topografia. Rio Grande do Sul: Ed. Globo, 1980.
SILVA, Irineu da; SEGANTINE, Paulo Cesar Lima. C. L. Topografia para engenharia: Teoria e prática de geomática. São Paulo: Ed. Elsevier, 2015.
TULER, M.; SARAIVA, S. Fundamentos de Topografia. Porto Alegre: Bookman, 2014.
VEIGA, L. A. K; Zanetti, M. A. Z; FAGGION, P. L. Fundamentos de Topografia. Universidade Federal do Paraná, 2007.
VERAS, R. C. Topografia roteiro para cálculo de Poligonal. 54 pag. – 1ª ed. 1997 – EDUFPI – Teresina.

PRÓXIMA AULA ▶
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