Ainda no início da civilização, quando os indivíduos passaram ter a necessidade de estabelecer contatos e os deslocamentos passaram a ser frequentes, os problemas de orientação surgiram. Ainda nesse período, os meios para se solucionar tais problemas eram extremamente escassos. No entanto, o bom senso de observação na época permitiam aos seres humanos diferenciar e identificar os principais pontos de referência seja em terra ou em alto mar, a exemplo das montanhas, vales, enseadas, ilhas etc., todavia, somente esses elementos eram insuficientes para se ter uma orientação segura, que era, meio que, um pré-requisito indispensável a sobrevivência naquela época. Pois, orientar-se por elementos de físicos como referência ao longo de uma viagem continha enormes limitações, visto que não permitia percorrer um território desconhecido, por exemplo, diante de tais problemas buscou-se por meios de orientação mais seguros que pudessem ser aplicados a qualquer situação ou lugar (Carvalho; Araújo, 2008).
Uma primeira solução imaginada seria o estudo do Sol e das estrelas, os quais despertavam a curiosidade dos astrônomos já nos tempos da civilização assírio-babilônica. A partir desse estudo, foi possível a identificação com exatidão dos quatro pontos cardeais, o que se tornaria uma revolução no modo de se localizar.
Os pontos cardeais
Na figura abaixo, temos a rosa dos ventos com os pontos cardeais, colaterais e sub-colaterais.
Fonte: InfoEnem.
PRINCIPAIS INSTRUMENTOS DE ORIENTAÇÃO UTILIZADOS
Cartas topográficas ou mapas: Mostram o resultado da representação de uma região em um plano, descrevendo seu relevo, localização de picos, vales, planícies, entre outros.
Fonte: Revista Brasileira de Sensoriamento Remoto.
Sistema de navegação por satélites: é um sistema de posicionamento geodésico baseado num conjunto de satélites artificiais, capazes de fornecer posições na superfície terrestre com precisão de até poucos milímetros.
Bússolas: Instrumento que sempre aponta para o norte magnético e por isso nos permite navegar, nos orientando até mesmo dentro de cavernas e matas muito fechadas.
Um conceito muito importante que temos que conhecer para que possamos nos localizar corretamente é a declinação magnética:
"É o nome dado ao ângulo variável formado entre o meridiano geográfico e o meridiano magnético (Espartel, 1980)."
"Avalia-se a declinação magnética como sendo o ângulo formado pelas duas meridianas, geográfica e magnética (Souza, 1981)."
Para que esse conceito fique bem claro, temos que saber que existe mais de um Norte, na verdade temos três tipos de Norte.
Norte Geográfico: Também chamado de Norte Verdadeiro, é aquele indicado por qualquer meridiano geográfico, ou seja, na direção da rotação da Terra.
Norte Magnético: Que é a direção do polo magnético, indicado pela agulha imantada de uma bússola.
Norte de Quadricula: Que aponta a direção vertical da carta, paralelo ao eixo N/S do Sistema de Projeção.
O Norte Magnético para onde a agulha de uma bússola aponta não se situa exatamente no Polo Norte definido pelos meridianos, ou seja, no Norte Geográfico. A declinação magnética, dessa forma, existe porque o polo norte e o polo magnético não coincidem.
Convenciona-se a declinação magnética como ORIENTAL (Positiva) quando o meridiano magnético fica a direita do meridiano verdadeiro, e a declinação magnética é dita OCIDENTAL (Negativa) quando o meridiano magnético fica a esquerda do meridiano verdadeiro (Espartel, 1980).
É importante salientar que, as cartas devem conter a variação da declinação anual de uma região para que possamos obter o valor correspondente à data atual.
RUMO
Dá-se o nome de Rumo ao ângulo horizontal agudo, indicado no sentido horário ou anti-horário, compreendido entre a direção de um alinhamento de referência e a direção ij de uma semirreta i, j qualquer. A amplitude do rumo varia de 0° a 90° e deve ser indicado sempre com um valor positivo. Ele é referido tanto às direções NE e NW como às direções SE e SW (Silva; Segantine, 2015).
Em função de sua determinação o rumo pode ser:
De maneira simplista, uma boa definição para o Rumo é que este é o menor ângulo medido entre a linha norte sul e um alinhamento. O Rumo varia de 0° a 90°.
Na topografia o rumo magnético pode ser determinado através de uma bússola, já o verdadeiro integrando-se ao rumo magnético a declinação magnética, no entanto, quando se dispõe de coordenadas de pontos de um alinhamento, essa determinação se torna uma tarefa fácil, pois:
Exemplo 001: Calcular o Rumo entre o alinhamento P01 e P02, sabendo-se que as coordenadas (X; Y) dos pontos são: P01(743.954,246; 9.440.853,837), P02(743.939,495; 9.440.753,190).
AZIMUTE
É o ângulo horário medido entre o Norte e o alinhamento que varia de 0° a 360°.
RELAÇÃO ENTRE RUMO E AZIMUTE
É fácil visualizar que o rumo e o azimute possuem uma relação, por tal motivo quando se dispõe do rumo de um alinhamento, facilmente determinamos o azimute deste alinhamento e vice-versa. Pois:
Observando a animação acima, podemos verificar que:
Em relação a determinação pelas coordenadas, o rumo e o azimute relacionam-se conforme o quadro abaixo:
Exemplo 002: Calcular o azimute entre o alinhamento P01 e P02, sabendo-se que as coordenadas (X; Y) dos pontos são: P01(743.954,246; 9.440.853,837), P02(743.939,495; 9.440.753,190).
Exemplo 003: Calcular o azimute de A para B, sabendo que o RumoAB = 45° NE.
- No primeiro quadrante o Az = Rumo, então:
Az = 45°
Exemplo 003: Calcular o Rumo de C para D, sabendo que o AzCD = 145°15'.
- Observem que este azimute encontra-se no segundo quadrante, assim, sabendo da relação entre rumo e azimute, temos:
Az = 180° - Rumo
145°15' = 180° - Rumo
- Rumo = 145°15' - 180° *(-1)
Rumo = 180° - 145°15'
Rumo = 34°45' SE
Exemplo 004: Calcular o azimute de E para F, sabendo que o RumoEF = 34°45' SW.
- Neste caso, temos um rumo de 3º quadrante. Substituindo na relação entre rumo e azimute tem-se:
Az = 180° + Rumo
Az = 180° + 34°45'
Az = 214°45'
Exemplo 005: Calcular o Rumo de G para H, sabendo que o AzGH = 272°35'37".
- No presente exemplo, tem-se um azimute de 4° quadrante, dessa forma basta aplicar a equação da relação entre Rumo e Azimute para o respectivo quadrante:
Az = 360° - Rumo
272°35'37" = 360° - Rumo
- Rumo = 272°35'37" - 360° *(-1)
Rumo = 360° - 272°35'37"
Rumo = 87°24'23" NW
Referências consultadas
CARVALHO, E. A; ARAÚJO, P. C. Orientação: rumo, azimute, declinação magnética. 2008. Disponível em: Biblioteca Digital UFRN.
ESPARTEL, L. Curso de Topografia. Rio Grande do Sul: Ed. Globo, 1980.
SILVA, I.; SEGANTINE, P. C. L. Topografia para engenharia: Teoria e prática de geomática. São Paulo: Ed. Elsevier, 2015.
SOUZA, José Octávio de. Agrimensura. São Paulo: Ed. Nobel,1981.
Uma primeira solução imaginada seria o estudo do Sol e das estrelas, os quais despertavam a curiosidade dos astrônomos já nos tempos da civilização assírio-babilônica. A partir desse estudo, foi possível a identificação com exatidão dos quatro pontos cardeais, o que se tornaria uma revolução no modo de se localizar.
Os pontos cardeais
- NORTE (onde o Sol é mais alto): O movimento aparente do Sol desenha no céu uma parábola que atinge seu ponto mais elevado por volta do meio-dia. Para nós que estamos no hemisfério Sul, nesse momento a posição do Sol indica precisamente a direção norte; no hemisfério Norte, a posição do Sol ao meio-dia indica exatamente a direção contrária, ou seja, o sul.
- SUL (onde aponta a constelação do Cruzeiro): Durante a noite no hemisfério austral, que corresponde à metade da Terra que fica entre o equador e o Polo Sul, identifica-se facilmente uma constelação em forma de cruz – o Cruzeiro do Sul – que indica aproximadamente a direção Sul. Prolongamos imaginariamente quatro vezes o braço maior da cruz e em seguida tiramos uma perpendicular ao horizonte. Já no hemisfério boreal, que se estende do equador ao Pólo Norte, existe uma “estrela guia”, chamada “estrela Polar”, pertencente à constelação da Ursa Menor, que indica exatamente a direção norte.
- LESTE (onde o Sol nasce): O Sol surge sempre mais ou menos no mesmo ponto do horizonte correspondendo ao oriente (do verbo latino oriri, surgir). Mais precisamente, nos dias 21 de março e 23 de setembro, o “ponto” em que o Sol surge no horizonte indica com exatidão a direção Leste.
- OESTE (onde o Sol se põe): As mesmas considerações feitas para o leste são válidas para a parte do horizonte onde o Sol se põe chamado ocidente (do verbo latino occidere, cair). O “ponto” em que o Sol desaparece no horizonte, nos dias 21 de março e 23 de setembro, indica exatamente a direção oeste.
Na figura abaixo, temos a rosa dos ventos com os pontos cardeais, colaterais e sub-colaterais.
Pontos Cardeais | ||
---|---|---|
N | Norte | 0° |
E | Leste | 90° |
S | Sul | 180° |
O | Oeste | 270° |
Pontos Colaterais | ||
NE | Nordeste | 45° |
SE | Sudeste | 135° |
NO | Sudoeste | 225° |
SO | Noroeste | 315° |
Pontos Sub-colaterais | ||
NNE | Nor-Nordeste | 22,5° |
ENE | Lés-Nordeste | 67,5° |
ESE | Lés-Sudeste | 112,5° |
SSE | Su-Sudeste | 157,5° |
SSO | Su-Sudoeste | 202,5° |
OSO | Oés-Sudoeste | 247,5° |
ONO | Oés-Noroeste | 292,5° |
NNO | Nor-Noroeste | 337,5° |
PRINCIPAIS INSTRUMENTOS DE ORIENTAÇÃO UTILIZADOS
Cartas topográficas ou mapas: Mostram o resultado da representação de uma região em um plano, descrevendo seu relevo, localização de picos, vales, planícies, entre outros.
Sistema de navegação por satélites: é um sistema de posicionamento geodésico baseado num conjunto de satélites artificiais, capazes de fornecer posições na superfície terrestre com precisão de até poucos milímetros.
Fonte: slideplayer.
Fonte: Pin.
- Declinação Magnética
Um conceito muito importante que temos que conhecer para que possamos nos localizar corretamente é a declinação magnética:
"É o nome dado ao ângulo variável formado entre o meridiano geográfico e o meridiano magnético (Espartel, 1980)."
"Avalia-se a declinação magnética como sendo o ângulo formado pelas duas meridianas, geográfica e magnética (Souza, 1981)."
Para que esse conceito fique bem claro, temos que saber que existe mais de um Norte, na verdade temos três tipos de Norte.
Norte Geográfico: Também chamado de Norte Verdadeiro, é aquele indicado por qualquer meridiano geográfico, ou seja, na direção da rotação da Terra.
Norte Magnético: Que é a direção do polo magnético, indicado pela agulha imantada de uma bússola.
Norte de Quadricula: Que aponta a direção vertical da carta, paralelo ao eixo N/S do Sistema de Projeção.
Fonte: Queiroz Filho.
O Norte Magnético para onde a agulha de uma bússola aponta não se situa exatamente no Polo Norte definido pelos meridianos, ou seja, no Norte Geográfico. A declinação magnética, dessa forma, existe porque o polo norte e o polo magnético não coincidem.
Convenciona-se a declinação magnética como ORIENTAL (Positiva) quando o meridiano magnético fica a direita do meridiano verdadeiro, e a declinação magnética é dita OCIDENTAL (Negativa) quando o meridiano magnético fica a esquerda do meridiano verdadeiro (Espartel, 1980).
Fonte: Convenção Declinação Magnética.
É importante salientar que, as cartas devem conter a variação da declinação anual de uma região para que possamos obter o valor correspondente à data atual.
RUMO
Dá-se o nome de Rumo ao ângulo horizontal agudo, indicado no sentido horário ou anti-horário, compreendido entre a direção de um alinhamento de referência e a direção ij de uma semirreta i, j qualquer. A amplitude do rumo varia de 0° a 90° e deve ser indicado sempre com um valor positivo. Ele é referido tanto às direções NE e NW como às direções SE e SW (Silva; Segantine, 2015).
Em função de sua determinação o rumo pode ser:
- Magnético: quando referenciado ao Meridiano Magnético;
- Verdadeiro: quando referenciado ao Meridiano Verdadeiro.
De maneira simplista, uma boa definição para o Rumo é que este é o menor ângulo medido entre a linha norte sul e um alinhamento. O Rumo varia de 0° a 90°.
Na topografia o rumo magnético pode ser determinado através de uma bússola, já o verdadeiro integrando-se ao rumo magnético a declinação magnética, no entanto, quando se dispõe de coordenadas de pontos de um alinhamento, essa determinação se torna uma tarefa fácil, pois:
Exemplo 001: Calcular o Rumo entre o alinhamento P01 e P02, sabendo-se que as coordenadas (X; Y) dos pontos são: P01(743.954,246; 9.440.853,837), P02(743.939,495; 9.440.753,190).
AZIMUTE
É o ângulo horário medido entre o Norte e o alinhamento que varia de 0° a 360°.
RELAÇÃO ENTRE RUMO E AZIMUTE
É fácil visualizar que o rumo e o azimute possuem uma relação, por tal motivo quando se dispõe do rumo de um alinhamento, facilmente determinamos o azimute deste alinhamento e vice-versa. Pois:
Observando a animação acima, podemos verificar que:
Em relação a determinação pelas coordenadas, o rumo e o azimute relacionam-se conforme o quadro abaixo:
Exemplo 002: Calcular o azimute entre o alinhamento P01 e P02, sabendo-se que as coordenadas (X; Y) dos pontos são: P01(743.954,246; 9.440.853,837), P02(743.939,495; 9.440.753,190).
Exemplo 003: Calcular o azimute de A para B, sabendo que o RumoAB = 45° NE.
- No primeiro quadrante o Az = Rumo, então:
Exemplo 003: Calcular o Rumo de C para D, sabendo que o AzCD = 145°15'.
- Observem que este azimute encontra-se no segundo quadrante, assim, sabendo da relação entre rumo e azimute, temos:
145°15' = 180° - Rumo
- Rumo = 145°15' - 180° *(-1)
Rumo = 180° - 145°15'
Rumo = 34°45' SE
Exemplo 004: Calcular o azimute de E para F, sabendo que o RumoEF = 34°45' SW.
- Neste caso, temos um rumo de 3º quadrante. Substituindo na relação entre rumo e azimute tem-se:
Az = 180° + 34°45'
Az = 214°45'
Exemplo 005: Calcular o Rumo de G para H, sabendo que o AzGH = 272°35'37".
- No presente exemplo, tem-se um azimute de 4° quadrante, dessa forma basta aplicar a equação da relação entre Rumo e Azimute para o respectivo quadrante:
272°35'37" = 360° - Rumo
- Rumo = 272°35'37" - 360° *(-1)
Rumo = 360° - 272°35'37"
Rumo = 87°24'23" NW
Referências consultadas
CARVALHO, E. A; ARAÚJO, P. C. Orientação: rumo, azimute, declinação magnética. 2008. Disponível em: Biblioteca Digital UFRN.
ESPARTEL, L. Curso de Topografia. Rio Grande do Sul: Ed. Globo, 1980.
SILVA, I.; SEGANTINE, P. C. L. Topografia para engenharia: Teoria e prática de geomática. São Paulo: Ed. Elsevier, 2015.
SOUZA, José Octávio de. Agrimensura. São Paulo: Ed. Nobel,1981.
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