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terça-feira, 14 de julho de 2026

Matemática aplicada a Topografia: Conversão de Unidades.

"Uma medição correta pode tornar-se completamente inútil se a unidade não for interpretada corretamente."

AULA 7 - CONVERSÃO DE UNIDADES



Introdução

Na aula anterior conhecemos o Sistema Internacional de Unidades e compreendemos a importância da padronização das medições. Entretanto, durante a prática profissional, nem sempre as informações são apresentadas utilizando a mesma unidade.

É comum encontrar projetos em que as distâncias estão expressas em quilômetros, enquanto os levantamentos topográficos utilizam metros. Áreas podem aparecer em metros quadrados, hectares ou quilômetros quadrados. Volumes podem ser fornecidos em metros cúbicos ou em outras unidades de capacidade. Até mesmo os ângulos podem ser apresentados em graus, grados ou radianos, dependendo do equipamento ou da norma utilizada.

Nessas situações, torna-se indispensável realizar a conversão correta entre unidades. Embora esse procedimento pareça simples, muitos erros em projetos de engenharia são consequência direta de conversões incorretas.

Nesta aula aprenderemos como realizar essas transformações de forma segura, organizada e lógica.


Objetivos da Aula

Ao final desta aula você deverá ser capaz de:

  • Compreender o conceito de conversão de unidades.
  • Utilizar corretamente fatores de conversão.
  • Converter unidades de comprimento, área, volume e ângulos.
  • Interpretar resultados de forma crítica.
  • Evitar erros comuns em cálculos topográficos.

1. O que significa converter uma unidade?

Converter uma unidade significa representar uma mesma grandeza utilizando outra unidade de medida.

Observe o exemplo: 10 metros é exatamente a mesma distância que 0,01 quilômetro.

Nada mudou fisicamente. A única alteração ocorreu na forma de representar essa distância.

A conversão modifica apenas a unidade. A grandeza permanece exatamente a mesma.


1.1 Engenharia em Campo

Imagine que um projeto rodoviário informe uma extensão de 2,5 km. Durante o levantamento topográfico, entretanto, a estação total apresenta todas as distâncias em metros.

Para integrar corretamente as informações, será necessário converter quilômetros em metros. Essa situação ocorre diariamente em obras de engenharia.


2. O princípio da conversão

Toda conversão baseia-se em uma igualdade conhecida. Por exemplo.

Sabemos que: 1 km = 1000 m
Assim, 3 km = 3 × 1000 = 3000 m

Observe que não existe nenhuma fórmula específica. Existe apenas uma relação de equivalência.


2.1 Método do Engenheiro


2.1.1 Como converter unidades

Sempre siga estes cinco passos.

Passo 1: Identifique qual grandeza está sendo medida.

  • Comprimento?
  • Área?
  • Volume?
  • Ângulo?

Passo 2: Identifique a unidade atual.

Passo 3: Identifique a unidade desejada.

Passo 4: Aplique o fator de conversão.

Passo 5: Analise se o resultado faz sentido.

Esse último passo evita inúmeros erros.


3. Conversão de comprimento

Na Topografia, a unidade fundamental é o metro. Os múltiplos e submúltiplos mais utilizados são:

Unidade
Símbolo
Equivale a
quilômetro
km
1000 m
hectômetro
hm
100 m
decâmetro
dam
10 m
metro
m
1 m
decímetro
dm
0,1 m
centímetro
cm
0,01 m
milímetro
mm
0,001 m

3.1 Exemplo resolvido

Converter: 2,35 km para metros.

Resolução: 2,35 × 1000 = 2350 m


3.2 Exemplo resolvido

Converter: 580 cm para metros.

Resolução: 580 ÷ 100 = 5,80 m


4. Conversão de área

Aqui muitos estudantes começam a cometer erros. Quando convertemos áreas, o fator de conversão deve ser elevado ao quadrado.

Por quê? Porque estamos lidando com duas dimensões.

⇒ Observe, 1 metro possui 100 centímetros.
⇒ Logo, 1 m² não corresponde a 100 cm².
⇒ Corresponde a 100 × 100 = 10 000 cm².

Essa diferença é extremamente importante.


4.1 Exemplo resolvido

Converter: 3,5 hectares para metros quadrados.

⇒ Sabemos que: 1 ha = 10 000 m²
⇒ Logo, 3,5 × 10 000 = 35 000 m²


4.2 Engenharia em Campo

Em levantamentos rurais, é comum que a área de uma propriedade seja apresentada em hectares, enquanto os cálculos de projetos utilizam metros quadrados. A conversão correta entre essas unidades evita inconsistências em memoriais descritivos, projetos e documentos de registro.


5. Conversão de volume

No caso dos volumes, o fator de conversão é elevado ao cubo.

Por exemplo: 1 metro = 100 centímetros.

Então, 1 metro cúbico = 100³ = 1 000 000 cm³.


5.1 Exemplo resolvido

Converter: 8 m³ para centímetros cúbicos.

Resolução: 8 × 1 000 000 = 8 000 000 cm³.


6. Conversão de ângulos

Na Topografia são comuns: graus; minutos; segundos.

Lembre-se.

⇒ 1° = 60'
⇒ 1' = 60"
⇒ Logo, 1° = 3600"


6.1 Exemplo resolvido

Converter: 2°15' para segundos.

Resolução: 2° = 7200" e 15' = 900". Total = 8100".


6.2 Engenharia em Campo

Ao importar dados de diferentes equipamentos topográficos, é comum que um arquivo apresente ângulos em graus decimais e outro em graus, minutos e segundos. Saber converter essas representações é indispensável para evitar erros durante o processamento dos dados.


7. Erros comuns dos estudantes

Entre os erros mais frequentes destacam-se:

  • Utilizar o mesmo fator de conversão para comprimento, área e volume.
  • Esquecer de elevar o fator ao quadrado nas áreas.
  • Esquecer de elevar o fator ao cubo nos volumes.
  • Converter graus, minutos e segundos como se fossem unidades decimais.
  • Não verificar se o resultado obtido é coerente.

8. Curiosidade

Um dos acidentes aeroespaciais mais famosos da história ocorreu em 1999, quando a sonda Mars Climate Orbiter foi perdida porque duas equipes utilizaram sistemas diferentes de unidades (Sistema Internacional e sistema imperial) sem realizar a conversão adequada. O erro resultou na perda da missão, avaliada em aproximadamente 125 milhões de dólares.

Embora esse exemplo não esteja relacionado à Topografia, ele demonstra a importância da correta conversão de unidades em projetos de engenharia.


9. Exercício resolvido

Converter: 4,8 km para metros.
Resolução: 4,8 × 1000 = 4800 m.

Converter: 25000 m² para hectares.
Sabemos que 1 ha = 10000 m².
Logo, 25000 ÷ 10000 = 2,5 ha.

10. Exercícios propostos

Questão 1: Converta 6,75 km para metros.

Questão 2: Converta 12500 m² para hectares.

Questão 3: Converta 12 m³ para centímetros cúbicos.

Questão 4: Converta 3°25'40" para segundos.

Questão 5: Explique por que áreas e volumes utilizam fatores de conversão diferentes dos comprimentos.


11. Reflexão

Imagine que um topógrafo utilize corretamente todos os equipamentos disponíveis em campo, mas realize uma conversão incorreta entre hectares e metros quadrados.

Qual será a consequência para todo o levantamento?


12. Resumo da Aula

Nesta aula aprendemos que converter unidades significa representar uma mesma grandeza utilizando diferentes unidades de medida. Estudamos conversões de comprimento, área, volume e ângulos, compreendendo que cada tipo de grandeza possui características próprias. Também vimos que áreas exigem fatores elevados ao quadrado e volumes ao cubo, enquanto a conversão de ângulos requer atenção especial à relação entre graus, minutos e segundos. Por fim, discutimos como erros aparentemente simples de conversão podem comprometer projetos de engenharia.



AULA 06 Índice de Aulas AULA 08
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Matemática aplicada a Topografia: Sistema Internacional de Unidades (SI).

"Não existe ciência sem medição, e não existe medição confiável sem um sistema padronizado de unidades."

AULA 6 - SISTEMA INTERNACIONAL DE UNIDADES (SI)



Introdução

Na aula anterior aprendemos que toda medição consiste na determinação de uma grandeza física expressa por um valor numérico acompanhado de uma unidade de medida.

Entretanto, surge uma questão importante: Como garantir que uma medição realizada em qualquer lugar do mundo tenha exatamente o mesmo significado?

Imagine que um engenheiro no Brasil informe que a distância entre dois pontos é de 100 metros. Um profissional no Japão, outro na Alemanha e outro na África do Sul devem interpretar essa informação exatamente da mesma maneira. Essa padronização é fundamental para a ciência, a engenharia, a indústria, o comércio e inúmeras outras atividades.

Entretanto, nem sempre foi assim. Durante muitos séculos, diferentes povos utilizaram sistemas próprios de medição. Em algumas regiões, o comprimento era definido pelo tamanho do pé humano. Em outras, utilizava-se o comprimento do antebraço, conhecido como côvado. Como essas referências variavam de uma pessoa para outra e de uma região para outra, surgiam constantes divergências nas medições.

Com o avanço da ciência e da engenharia, tornou-se indispensável estabelecer um sistema universal de unidades. Foi dessa necessidade que surgiu o Sistema Internacional de Unidades, conhecido mundialmente pela sigla SI (Système International d'Unités).

Nesta aula conheceremos sua origem, seus princípios e sua importância para a Topografia.


Objetivos da Aula

Ao final desta aula você deverá ser capaz de:

  • Compreender a finalidade do Sistema Internacional de Unidades.
  • Conhecer sua origem histórica.
  • Identificar as sete unidades básicas do SI.
  • Reconhecer a importância da padronização das medições.
  • Compreender por que a Topografia utiliza o SI.

1. Por que precisamos de um sistema de unidades?

Imagine que três profissionais realizem a medição da mesma distância utilizando referências diferentes.

⇒ O primeiro utiliza metros.
⇒ O segundo utiliza pés.
⇒ O terceiro utiliza jardas.

Embora todos tenham medido a mesma distância física, os resultados numéricos serão diferentes. Essa situação dificulta comparações, projetos e cálculos.

Para evitar esse problema, tornou-se necessário estabelecer um único conjunto de unidades reconhecido internacionalmente.

Esse conjunto constitui o Sistema Internacional de Unidades.


1.1 Engenharia em Campo

Considere uma obra em que diferentes equipes trabalham simultaneamente.

⇒ Uma equipe realiza o levantamento topográfico.
⇒ Outra desenvolve o projeto estrutural.
⇒ Uma terceira executa a construção.

Se cada equipe utilizasse unidades diferentes sem realizar as devidas conversões, erros de interpretação poderiam comprometer toda a obra. A padronização das unidades garante que todas as informações sejam interpretadas da mesma maneira.


2. O que é o Sistema Internacional de Unidades?

O Sistema Internacional de Unidades é o sistema oficial de medição adotado pela maior parte dos países do mundo. Ele foi estabelecido em 1960 durante a 11ª Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM), organizada pelo Bureau International des Poids et Mesures (BIPM).

Seu principal objetivo é fornecer um conjunto único, coerente e universal de unidades para expressar grandezas físicas. Graças ao SI, uma medição realizada em qualquer país pode ser compreendida e reproduzida em qualquer outro.


3. As sete unidades básicas do SI

Todo o Sistema Internacional é construído a partir de sete unidades fundamentais.

Grandeza
Unidade
Símbolo
Comprimento
metro
m
Massa
quilograma
kg
Tempo
segundo
s
Corrente elétrica
ampere
A
Temperatura termodinâmica
kelvin
K
Quantidade de substância
mol
mol
Intensidade luminosa
candela
cd

Embora a Topografia utilize principalmente o metro e o grau, é importante compreender que todas as demais unidades fazem parte do mesmo sistema.


4. O metro

Entre todas as unidades do SI, o metro possui importância especial para a Topografia. Ele é a unidade utilizada para representar:

  • Distâncias.
  • Coordenadas.
  • Altitudes.
  • Diferenças de nível.
  • Comprimentos de alinhamentos.
  • Perímetros.

Desde 1983, o metro é definido como: O comprimento do percurso realizado pela luz no vácuo durante o intervalo de tempo de 1/299 792 458 de segundo.

Essa definição permite reproduzir a unidade de comprimento com elevada precisão em qualquer laboratório do mundo.


4.1. Curiosidade Histórica

Até o século XVIII, era comum que diferentes cidades utilizassem padrões próprios de comprimento.

A Revolução Francesa impulsionou a criação de um sistema baseado em fenômenos naturais, culminando na definição do metro como a décima milionésima parte da distância entre o Equador e o Polo Norte ao longo de um meridiano terrestre. Com o avanço da ciência, essa definição foi substituída por outra baseada na velocidade da luz, muito mais precisa e reprodutível.


5. Unidades derivadas utilizadas na Topografia

A partir das unidades básicas são construídas diversas unidades derivadas. Na Topografia destacam-se:

Grandeza
Unidade
Área
metro quadrado (m²)
Volume
metro cúbico (m³)
Velocidade
metro por segundo (m/s)
Inclinação
porcentagem (%) ou razão

Essas unidades surgem naturalmente da combinação das unidades fundamentais.


6. E os ângulos?

Uma dúvida comum dos estudantes é: O grau faz parte do Sistema Internacional?

A resposta é não.

No SI, a unidade derivada coerente para medir ângulos planos é o radiano (rad).

Entretanto, o grau (°), o minuto (') e o segundo (") são unidades aceitas para uso com o SI devido à sua ampla utilização em diversas áreas, incluindo a Topografia.

Como praticamente todos os equipamentos topográficos permitem trabalhar com graus sexagesimais, adotaremos essa unidade ao longo do curso, apresentando posteriormente também o conceito de radiano quando ele se tornar necessário.


6.1 Engenharia em Campo

Uma estação total pode medir ângulos em graus, grados ou radianos, dependendo da configuração adotada pelo operador.

Independentemente da unidade escolhida, o fenômeno físico observado continua sendo exatamente o mesmo.

O que muda é apenas a forma de representar numericamente essa grandeza.


7. O SI na Topografia

Durante um levantamento topográfico é comum utilizar:

  • Metro para distâncias.
  • Metro quadrado para áreas.
  • Metro cúbico para volumes.
  • Graus para ângulos.
  • Metros para coordenadas.
  • Metros para altitudes.

A utilização dessas unidades padronizadas garante que os resultados possam ser compreendidos por qualquer profissional.


8. Erros comuns dos estudantes

Alguns equívocos frequentes são:

  • Acreditar que qualquer unidade pode ser utilizada livremente.
  • Omitir a unidade ao apresentar resultados.
  • Confundir grandeza com unidade.
  • Imaginar que o grau faz parte das sete unidades básicas do SI.

9. Exercício resolvido

Um levantamento topográfico produziu os seguintes resultados:

  • Distância: 245 m.
  • Área: 3 250 m².
  • Volume: 520 m³.
  • Ângulo: 35°.

Pergunta: Quais dessas unidades pertencem ao Sistema Internacional ou são aceitas para uso com ele?

Resolução:

  • Metro (m): unidade básica do SI.
  • Metro quadrado (m²): unidade derivada do SI.
  • Metro cúbico (m³): unidade derivada do SI.
  • Grau (°): unidade aceita para uso com o SI, embora a unidade coerente seja o radiano.

10. Exercícios propostos

Questão 1: Explique por que a padronização das unidades é indispensável para a Engenharia.

Questão 2: Liste as sete unidades básicas do Sistema Internacional de Unidades.

Questão 3: Por que o metro é a unidade mais importante para a Topografia?

Questão 4: O grau pertence às sete unidades básicas do SI? Explique.


11. Reflexão

Imagine se cada fabricante de estação total utilizasse uma unidade própria para representar distâncias.

Quais dificuldades isso provocaria na execução de um levantamento topográfico?


12. Resumo da Aula

Nesta aula conhecemos a origem e os objetivos do Sistema Internacional de Unidades, compreendendo sua importância para a padronização das medições científicas e de engenharia. Estudamos as sete unidades básicas do SI, destacando o metro como a principal unidade utilizada na Topografia. Também vimos que diversas unidades derivadas, como metro quadrado e metro cúbico, surgem da combinação das unidades fundamentais e que o grau, embora não seja uma unidade básica do SI, é aceito para uso com ele e amplamente empregado em levantamentos topográficos.



AULA 05 Índice de Aulas AULA 07
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Matemática aplicada a Topografia: Grandezas Físicas.

"Medir é comparar uma grandeza com outra da mesma espécie adotada como referência."

AULA 5 - GRANDEZAS FÍSICAS



Introdução

Imagine que um topógrafo esteja realizando o levantamento de um terreno destinado à construção de um edifício. Durante o trabalho, ele mede a distância entre dois pontos, determina a diferença de nível entre eles, observa ângulos horizontais e verticais, calcula áreas e estima volumes de corte e aterro.

Embora esses resultados sejam apresentados por números, eles representam algo muito mais importante: grandezas físicas.

Quando dizemos que uma distância é de 25 metros, que um ângulo mede 35° ou que um terreno possui área de 1.250 m², não estamos apenas escrevendo números. Estamos descrevendo propriedades mensuráveis do mundo físico.

Antes de aprender qualquer cálculo topográfico, é indispensável compreender o que é uma grandeza física, como ela é medida e por que diferentes grandezas exigem diferentes unidades de medida.

Nesta aula construiremos essa base conceitual, que servirá de fundamento para todas as medições estudadas ao longo do curso.


Objetivos da Aula

Ao final desta aula você deverá ser capaz de:

  • Compreender o conceito de grandeza física.
  • Diferenciar grandezas físicas de valores numéricos.
  • Identificar as principais grandezas utilizadas na Topografia.
  • Compreender a relação entre grandezas e medições.
  • Reconhecer a importância da padronização das unidades de medida.

1. O que é uma grandeza física?

Uma grandeza física é qualquer propriedade de um corpo, objeto, fenômeno ou sistema que pode ser medida e expressa por meio de um número acompanhado de uma unidade de medida. Essa definição merece atenção.

Observe que apenas o número não possui significado completo. Por exemplo: 50.

O que significa esse valor?

Pode representar: 50 metros; 50 centímetros; 50 quilômetros; 50 graus; 50 hectares.

Sem a unidade, o número perde praticamente todo o seu significado. Assim, toda medição é composta por dois elementos inseparáveis:

  • Valor numérico.
  • Unidade de medida.

1.1 Engenharia em Campo

Durante um levantamento topográfico, um operador informa que a distância entre dois vértices é "125". Essa informação, isoladamente, não possui utilidade.

Somente quando a unidade é informada. Por exemplo, 125 metros. O resultado passa a representar uma grandeza física capaz de ser utilizada em cálculos e projetos.


2. O que significa medir?

Medir significa comparar uma grandeza desconhecida com outra da mesma natureza adotada como padrão.

Por exemplo.

Ao medir uma distância com uma estação total, o equipamento compara a dimensão observada com o padrão de comprimento definido pelo Sistema Internacional de Unidades (SI).

O mesmo ocorre ao medir: ângulos; áreas; desníveis; volumes.

Toda medição consiste, portanto, em um processo de comparação.


3. As principais grandezas utilizadas na Topografia

Embora existam inúmeras grandezas físicas, algumas aparecem constantemente na Topografia.


3.1 Comprimento

É a grandeza utilizada para representar distâncias. Exemplos:

  • Distância entre dois pontos.
  • Comprimento de alinhamentos.
  • Perímetro de terrenos.

Unidade mais utilizada: metro (m).


3.2 Ângulo

Representa a abertura entre duas direções. Na Topografia são comuns:

  • Ângulos horizontais.
  • Ângulos verticais.
  • Ângulos zenitais.

As unidades mais empregadas são: grau (°); minuto ('); segundo (").


3.3 Área

Representa a extensão de uma superfície. Aplicações:

  • Cálculo da área de terrenos.
  • Loteamentos.
  • Propriedades rurais.

Unidades: metro quadrado (m²); hectare (ha).


3.4 Volume

Representa o espaço ocupado por um sólido. É amplamente utilizado em:

  • Terraplenagem.
  • Corte.
  • Aterro.
  • Barragens.

Unidade: metro cúbico (m³).


3.5 Diferença de nível

Representa a separação vertical entre dois pontos. É fundamental para:

  • Projetos de drenagem.
  • Estradas.
  • Canais.
  • Barragens.

Normalmente expressa em metros.


4. Grandezas escalares e vetoriais

As grandezas podem ser classificadas de diferentes maneiras. Na Topografia, uma classificação particularmente importante distingue as grandezas em escalares e vetoriais.


4.1 Grandezas escalares

São completamente definidas por seu valor numérico e sua unidade. Exemplos:

  • Comprimento de um segmento.
  • Área.
  • Volume.
  • Temperatura.

4.2 Grandezas vetoriais

Necessitam, além do valor, de uma direção e, em muitos casos, de um sentido.

Na Topografia, um exemplo clássico é o deslocamento entre dois pontos.
Conhecer apenas a distância percorrida não é suficiente. Também é necessário conhecer a direção em que esse deslocamento ocorreu.

Mais adiante estudaremos esse assunto em detalhes.


4.3 Engenharia em Campo

Imagine dois levantamentos distintos.

⇒ No primeiro, um ponto encontra-se a 50 metros do ponto inicial.
⇒ No segundo, outro ponto também está a 50 metros do ponto inicial.

As duas informações parecem iguais. Entretanto, se os deslocamentos ocorreram em direções diferentes, os pontos finais estarão em posições completamente distintas.

Essa simples observação mostra por que algumas grandezas precisam ser representadas por vetores.


5. Por que conhecer as grandezas antes das unidades?

Nas próximas aulas estudaremos detalhadamente o Sistema Internacional de Unidades. Entretanto, antes disso, precisamos compreender exatamente o que está sendo medido.

As unidades apenas expressam quantitativamente uma grandeza.

Primeiro identificamos a grandeza. Depois escolhemos a unidade mais adequada para representá-la.

Essa ordem é fundamental para evitar interpretações equivocadas.


5.1 Grandezas utilizadas ao longo deste curso

Nos próximos capítulos trabalharemos principalmente com:

Grandeza
Unidade mais comum
Comprimento
metro (m)
Ângulo
grau (°), minuto ('), segundo (")
Área
metro quadrado (m²)
Volume
metro cúbico (m³)
Diferença de nível
metro (m)
Coordenadas
metro (m)
Rumo
grau (°), minuto ('), segundo (")
Azimute
grau (°), minuto ('), segundo (")

Todas essas grandezas aparecerão repetidamente durante o curso.


6. Erros comuns dos estudantes

Entre os erros mais frequentes destacam-se:

  • Acreditar que números representam medições mesmo sem unidades.
  • Confundir grandeza com unidade.
  • Utilizar unidades incompatíveis durante um cálculo.
  • Esquecer que algumas grandezas dependem também de direção.

7. Curiosidade

Até o final do século XVIII, cada região utilizava seus próprios padrões de medida. Isso fazia com que uma mesma distância pudesse possuir valores diferentes dependendo do local onde era medida.

A criação de sistemas padronizados de unidades foi fundamental para o desenvolvimento da ciência, da engenharia e do comércio internacional.


8. Exercício resolvido

Um topógrafo informa os seguintes resultados:

  • 35.
  • 120 m.
  • 15 ha.
  • 2,35.

Pergunta: Quais dessas informações representam corretamente grandezas físicas?

Resolução:

As expressões 120 m e 15 ha, pois apresentam simultaneamente o valor numérico e a unidade correspondente.
Os valores 35 e 2,35, isoladamente, não representam uma grandeza física completa.


9. Exercícios propostos

Questão 1: Defina, com suas próprias palavras, o conceito de grandeza física.

Questão 2: Explique por que um número isolado não representa uma medição completa.

Questão 3: Cite cinco grandezas frequentemente utilizadas na Topografia.

Questão 4: Diferencie grandezas escalares de grandezas vetoriais.


10. Reflexão

Sempre que observar um valor numérico em um relatório topográfico, pergunte a si mesmo: "Que grandeza está sendo medida?"

Essa pergunta evitará inúmeros erros ao longo de sua formação.


11. Resumo da Aula

Nesta aula aprendemos que uma grandeza física é toda propriedade mensurável de um objeto ou fenômeno, expressa por meio de um valor numérico acompanhado de uma unidade de medida. Também conhecemos as principais grandezas utilizadas na Topografia, como comprimento, ângulo, área, volume e diferença de nível, além de compreender a distinção entre grandezas escalares e vetoriais. Esses conceitos servirão de base para o estudo das unidades de medida e dos sistemas de medição nas próximas aulas.



AULA 04 Índice de Aulas AULA 06
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