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terça-feira, 21 de julho de 2026

Matemática aplicada a Topografia: Precisão, arredondamentos e algarismos significativos.

"Escrever mais números não significa conhecer melhor a realidade."

AULA 8 - PRECISÃO, ARREDONDAMENTOS E ALGARISMOS SIGNIFICATIVO



Introdução

Imagine que dois estudantes realizem a medição da mesma distância utilizando equipamentos diferentes.

⇒ O primeiro obtém: 25,3 m
⇒ O segundo informa: 25,300000000 m

Qual dos dois realizou a medição mais precisa?

À primeira vista, muitos responderiam que o segundo resultado é melhor, afinal ele apresenta muito mais casas decimais. Entretanto, essa conclusão pode estar completamente errada.

A quantidade de algarismos escritos não determina, por si só, a qualidade de uma medição. Uma régua graduada em centímetros jamais permitirá medir milésimos de milímetro, por maior que seja o número de casas decimais apresentado.

Da mesma forma, uma estação total com precisão angular de 5 segundos de arco não produz automaticamente resultados perfeitos apenas porque o software exibe diversas casas decimais.

Na Engenharia, representar corretamente uma medição é tão importante quanto realizá-la.

Nesta aula estudaremos três conceitos fundamentais para qualquer profissional que trabalhe com medições:

  • Precisão.
  • Arredondamento.
  • Algarismos significativos.

Esses conceitos acompanharão toda a sua formação em Topografia.


Objetivos da Aula

Ao final desta aula você deverá ser capaz de:

  • Compreender o conceito de precisão em medições.
  • Diferenciar precisão de exatidão.
  • Identificar algarismos significativos.
  • Realizar arredondamentos corretamente.
  • Representar resultados de maneira coerente com a qualidade da medição.

1. O que é precisão?

Na linguagem cotidiana, é comum utilizar os termos "precisão" e "exatidão" como sinônimos. Na Metrologia, entretanto, esses conceitos possuem significados diferentes.

A precisão está relacionada ao grau de concordância entre medições repetidas realizadas sob condições especificadas.

Em outras palavras. Quanto menores forem as diferenças entre medições sucessivas, maior será a precisão.

Observe os seguintes resultados obtidos para a mesma distância: 25,316 m; 25,315 m; 25,317 m; 25,316 m. Os valores são muito próximos entre si. Isso indica elevada precisão. Entretanto, ainda não sabemos se eles estão próximos do valor verdadeiro.


1.1 Engenharia em Campo

Imagine que uma equipe realize diversas observações de um mesmo ponto utilizando uma estação total.

Se todas as medições apresentarem resultados muito semelhantes, o equipamento demonstra boa repetibilidade, indicando elevada precisão.

Entretanto, se a estação estiver mal calibrada, todas as medições poderão estar deslocadas da posição correta.

Assim, um conjunto de observações pode ser bastante preciso e, ainda assim, não representar corretamente a realidade.


2. Precisão não é exatidão

Esse é um dos conceitos mais importantes da Engenharia.

A exatidão representa o grau de concordância entre o resultado de uma medição e um valor de referência aceito. Já a precisão refere-se apenas à proximidade entre medições repetidas.

Assim, é possível existir:

  • Alta precisão e baixa exatidão.
  • Baixa precisão e alta exatidão (em termos médios).
  • Alta precisão e alta exatidão.
  • Baixa precisão e baixa exatidão.

Essa distinção será extremamente importante quando estudarmos controle de qualidade em levantamentos topográficos.


2.1 Curiosidade

Em muitos livros introdutórios, os conceitos de precisão e exatidão são explicados utilizando um alvo de tiro ao arco.

Embora essa analogia seja útil para uma primeira compreensão, ela simplifica excessivamente o problema.

Na Engenharia, esses conceitos são definidos formalmente pelo Vocabulário Internacional de Metrologia (VIM) e avaliados por métodos estatísticos.


3. Algarismos significativos

Os algarismos significativos são todos os dígitos que possuem significado em uma medição, incluindo o primeiro algarismo duvidoso. Eles representam a qualidade da informação obtida.

Observe os exemplos:

⇒ 12,35 → possui quatro algarismos significativos.
⇒ 0,00482 → possui três algarismos significativos.
⇒ 2500 → pode apresentar diferentes interpretações dependendo da forma como for escrito.

Por isso, em situações técnicas costuma-se utilizar notação científica para eliminar ambiguidades.


3.1 Método do Engenheiro


3.1.1 Como identificar algarismos significativos

  1. Ignore os zeros à esquerda.
  2. Conte todos os demais algarismos.
  3. Analise os zeros finais conforme a forma de representação.
  4. Utilize notação científica quando houver dúvida.

3.2 Engenharia em Campo

Imagine que uma estação total possua resolução de 1 mm.

Seria coerente apresentar o resultado de uma distância como: 125,347896321 m? Naturalmente não.

Os últimos dígitos não representam informação confiável. Eles apenas sugerem uma precisão inexistente.

Apresentar um número com casas decimais além da capacidade do instrumento transmite uma falsa impressão de qualidade.


4. Arredondamento

Durante cálculos de Engenharia é comum obter números com muitas casas decimais. Entretanto, nem sempre faz sentido manter todos esses dígitos.

O arredondamento consiste em eliminar casas decimais desnecessárias preservando a melhor aproximação possível.


4.1 Regra geral.

Se o primeiro algarismo descartado for: 0, 1, 2, 3 ou 4, mantém-se o último algarismo conservado.

Se for: 5, 6, 7, 8 ou 9, acrescenta-se uma unidade ao último algarismo conservado.


4.1.1 Exemplo resolvido

Arredondar 18,3647 para duas casas decimais.

Resultado: 18,36


4.1.2 Exemplo resolvido

Arredondar 18,3681 para duas casas decimais.

Resultado: 18,37


5. Quantas casas decimais devo utilizar?

Essa talvez seja a pergunta mais importante da aula. A resposta depende da precisão da medição e da finalidade do trabalho.

Por exemplo. Em um levantamento cadastral urbano utilizando estação total de alta precisão, faz sentido trabalhar com milímetros. Já em um levantamento exploratório de uma grande área rural, centímetros ou até decímetros podem ser suficientes

Não existe um número fixo de casas decimais.

Existe apenas coerência entre a qualidade da medição e a forma de apresentar o resultado.


5.1 Engenharia em Campo

É comum observar relatórios produzidos automaticamente por softwares apresentando coordenadas com oito ou nove casas decimais.

Isso não significa que a posição foi determinada com essa precisão. Na maioria das vezes, trata-se apenas da configuração padrão do programa.

Cabe ao profissional analisar quantas casas decimais realmente possuem significado para o trabalho realizado.


5.2 Erros comuns dos estudantes

Entre os erros mais frequentes destacam-se:

  • Confundir precisão com exatidão.
  • Acreditar que mais casas decimais significam melhor resultado.
  • Realizar arredondamentos incorretos.
  • Apresentar resultados incompatíveis com a resolução do instrumento.
  • Interpretar resolução como sinônimo de precisão.

5.3 Exercício resolvido

Uma distância foi medida como: 35,46872 m

O instrumento possui resolução de 1 cm.

Pergunta: Como esse resultado deve ser apresentado?

Resolução: Como a resolução é de 1 cm, faz sentido representar duas casas decimais. Assim, 35,47 m.


6. Exercícios propostos

Questão 1: Explique a diferença entre precisão e exatidão.

Questão 2: Identifique o número de algarismos significativos nas seguintes medições:

a) 12,340
b) 0,00482
c) 305,60

Questão 3: Arredonde 18,3764 para:

a) Duas casas decimais.
b) Uma casa decimal.

Questão 4: Por que um relatório topográfico não deve apresentar mais casas decimais do que a precisão do equipamento permite justificar?


7. Reflexão

Imagine que um software apresente automaticamente uma coordenada com dez casas decimais.

Será que todas essas casas representam informação real?

Ou apenas transmitem uma falsa sensação de precisão?


8. Resumo da Aula

Nesta aula estudamos três conceitos fundamentais da Metrologia e da Topografia: precisão, arredondamento e algarismos significativos. Compreendemos que precisão e exatidão possuem significados distintos, aprendemos a identificar algarismos significativos e vimos como realizar arredondamentos coerentes com a qualidade das medições. Também discutimos a importância de apresentar resultados compatíveis com a resolução dos instrumentos utilizados, evitando transmitir uma falsa impressão de precisão.



AULA 07 Índice de Aulas AULA 09
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terça-feira, 14 de julho de 2026

Matemática aplicada a Topografia: Conversão de Unidades.

"Uma medição correta pode tornar-se completamente inútil se a unidade não for interpretada corretamente."

AULA 7 - CONVERSÃO DE UNIDADES



Introdução

Na aula anterior conhecemos o Sistema Internacional de Unidades e compreendemos a importância da padronização das medições. Entretanto, durante a prática profissional, nem sempre as informações são apresentadas utilizando a mesma unidade.

É comum encontrar projetos em que as distâncias estão expressas em quilômetros, enquanto os levantamentos topográficos utilizam metros. Áreas podem aparecer em metros quadrados, hectares ou quilômetros quadrados. Volumes podem ser fornecidos em metros cúbicos ou em outras unidades de capacidade. Até mesmo os ângulos podem ser apresentados em graus, grados ou radianos, dependendo do equipamento ou da norma utilizada.

Nessas situações, torna-se indispensável realizar a conversão correta entre unidades. Embora esse procedimento pareça simples, muitos erros em projetos de engenharia são consequência direta de conversões incorretas.

Nesta aula aprenderemos como realizar essas transformações de forma segura, organizada e lógica.


Objetivos da Aula

Ao final desta aula você deverá ser capaz de:

  • Compreender o conceito de conversão de unidades.
  • Utilizar corretamente fatores de conversão.
  • Converter unidades de comprimento, área, volume e ângulos.
  • Interpretar resultados de forma crítica.
  • Evitar erros comuns em cálculos topográficos.

1. O que significa converter uma unidade?

Converter uma unidade significa representar uma mesma grandeza utilizando outra unidade de medida.

Observe o exemplo: 10 metros é exatamente a mesma distância que 0,01 quilômetro.

Nada mudou fisicamente. A única alteração ocorreu na forma de representar essa distância.

A conversão modifica apenas a unidade. A grandeza permanece exatamente a mesma.


1.1 Engenharia em Campo

Imagine que um projeto rodoviário informe uma extensão de 2,5 km. Durante o levantamento topográfico, entretanto, a estação total apresenta todas as distâncias em metros.

Para integrar corretamente as informações, será necessário converter quilômetros em metros. Essa situação ocorre diariamente em obras de engenharia.


2. O princípio da conversão

Toda conversão baseia-se em uma igualdade conhecida. Por exemplo.

Sabemos que: 1 km = 1000 m
Assim, 3 km = 3 × 1000 = 3000 m

Observe que não existe nenhuma fórmula específica. Existe apenas uma relação de equivalência.


2.1 Método do Engenheiro


2.1.1 Como converter unidades

Sempre siga estes cinco passos.

Passo 1: Identifique qual grandeza está sendo medida.

  • Comprimento?
  • Área?
  • Volume?
  • Ângulo?

Passo 2: Identifique a unidade atual.

Passo 3: Identifique a unidade desejada.

Passo 4: Aplique o fator de conversão.

Passo 5: Analise se o resultado faz sentido.

Esse último passo evita inúmeros erros.


3. Conversão de comprimento

Na Topografia, a unidade fundamental é o metro. Os múltiplos e submúltiplos mais utilizados são:

Unidade
Símbolo
Equivale a
quilômetro
km
1000 m
hectômetro
hm
100 m
decâmetro
dam
10 m
metro
m
1 m
decímetro
dm
0,1 m
centímetro
cm
0,01 m
milímetro
mm
0,001 m

3.1 Exemplo resolvido

Converter: 2,35 km para metros.

Resolução: 2,35 × 1000 = 2350 m


3.2 Exemplo resolvido

Converter: 580 cm para metros.

Resolução: 580 ÷ 100 = 5,80 m


4. Conversão de área

Aqui muitos estudantes começam a cometer erros. Quando convertemos áreas, o fator de conversão deve ser elevado ao quadrado.

Por quê? Porque estamos lidando com duas dimensões.

⇒ Observe, 1 metro possui 100 centímetros.
⇒ Logo, 1 m² não corresponde a 100 cm².
⇒ Corresponde a 100 × 100 = 10 000 cm².

Essa diferença é extremamente importante.


4.1 Exemplo resolvido

Converter: 3,5 hectares para metros quadrados.

⇒ Sabemos que: 1 ha = 10 000 m²
⇒ Logo, 3,5 × 10 000 = 35 000 m²


4.2 Engenharia em Campo

Em levantamentos rurais, é comum que a área de uma propriedade seja apresentada em hectares, enquanto os cálculos de projetos utilizam metros quadrados. A conversão correta entre essas unidades evita inconsistências em memoriais descritivos, projetos e documentos de registro.


5. Conversão de volume

No caso dos volumes, o fator de conversão é elevado ao cubo.

Por exemplo: 1 metro = 100 centímetros.

Então, 1 metro cúbico = 100³ = 1 000 000 cm³.


5.1 Exemplo resolvido

Converter: 8 m³ para centímetros cúbicos.

Resolução: 8 × 1 000 000 = 8 000 000 cm³.


6. Conversão de ângulos

Na Topografia são comuns: graus; minutos; segundos.

Lembre-se.

⇒ 1° = 60'
⇒ 1' = 60"
⇒ Logo, 1° = 3600"


6.1 Exemplo resolvido

Converter: 2°15' para segundos.

Resolução: 2° = 7200" e 15' = 900". Total = 8100".


6.2 Engenharia em Campo

Ao importar dados de diferentes equipamentos topográficos, é comum que um arquivo apresente ângulos em graus decimais e outro em graus, minutos e segundos. Saber converter essas representações é indispensável para evitar erros durante o processamento dos dados.


7. Erros comuns dos estudantes

Entre os erros mais frequentes destacam-se:

  • Utilizar o mesmo fator de conversão para comprimento, área e volume.
  • Esquecer de elevar o fator ao quadrado nas áreas.
  • Esquecer de elevar o fator ao cubo nos volumes.
  • Converter graus, minutos e segundos como se fossem unidades decimais.
  • Não verificar se o resultado obtido é coerente.

8. Curiosidade

Um dos acidentes aeroespaciais mais famosos da história ocorreu em 1999, quando a sonda Mars Climate Orbiter foi perdida porque duas equipes utilizaram sistemas diferentes de unidades (Sistema Internacional e sistema imperial) sem realizar a conversão adequada. O erro resultou na perda da missão, avaliada em aproximadamente 125 milhões de dólares.

Embora esse exemplo não esteja relacionado à Topografia, ele demonstra a importância da correta conversão de unidades em projetos de engenharia.


9. Exercício resolvido

Converter: 4,8 km para metros.
Resolução: 4,8 × 1000 = 4800 m.

Converter: 25000 m² para hectares.
Sabemos que 1 ha = 10000 m².
Logo, 25000 ÷ 10000 = 2,5 ha.

10. Exercícios propostos

Questão 1: Converta 6,75 km para metros.

Questão 2: Converta 12500 m² para hectares.

Questão 3: Converta 12 m³ para centímetros cúbicos.

Questão 4: Converta 3°25'40" para segundos.

Questão 5: Explique por que áreas e volumes utilizam fatores de conversão diferentes dos comprimentos.


11. Reflexão

Imagine que um topógrafo utilize corretamente todos os equipamentos disponíveis em campo, mas realize uma conversão incorreta entre hectares e metros quadrados.

Qual será a consequência para todo o levantamento?


12. Resumo da Aula

Nesta aula aprendemos que converter unidades significa representar uma mesma grandeza utilizando diferentes unidades de medida. Estudamos conversões de comprimento, área, volume e ângulos, compreendendo que cada tipo de grandeza possui características próprias. Também vimos que áreas exigem fatores elevados ao quadrado e volumes ao cubo, enquanto a conversão de ângulos requer atenção especial à relação entre graus, minutos e segundos. Por fim, discutimos como erros aparentemente simples de conversão podem comprometer projetos de engenharia.



AULA 06 Índice de Aulas AULA 08
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Matemática aplicada a Topografia: Sistema Internacional de Unidades (SI).

"Não existe ciência sem medição, e não existe medição confiável sem um sistema padronizado de unidades."

AULA 6 - SISTEMA INTERNACIONAL DE UNIDADES (SI)



Introdução

Na aula anterior aprendemos que toda medição consiste na determinação de uma grandeza física expressa por um valor numérico acompanhado de uma unidade de medida.

Entretanto, surge uma questão importante: Como garantir que uma medição realizada em qualquer lugar do mundo tenha exatamente o mesmo significado?

Imagine que um engenheiro no Brasil informe que a distância entre dois pontos é de 100 metros. Um profissional no Japão, outro na Alemanha e outro na África do Sul devem interpretar essa informação exatamente da mesma maneira. Essa padronização é fundamental para a ciência, a engenharia, a indústria, o comércio e inúmeras outras atividades.

Entretanto, nem sempre foi assim. Durante muitos séculos, diferentes povos utilizaram sistemas próprios de medição. Em algumas regiões, o comprimento era definido pelo tamanho do pé humano. Em outras, utilizava-se o comprimento do antebraço, conhecido como côvado. Como essas referências variavam de uma pessoa para outra e de uma região para outra, surgiam constantes divergências nas medições.

Com o avanço da ciência e da engenharia, tornou-se indispensável estabelecer um sistema universal de unidades. Foi dessa necessidade que surgiu o Sistema Internacional de Unidades, conhecido mundialmente pela sigla SI (Système International d'Unités).

Nesta aula conheceremos sua origem, seus princípios e sua importância para a Topografia.


Objetivos da Aula

Ao final desta aula você deverá ser capaz de:

  • Compreender a finalidade do Sistema Internacional de Unidades.
  • Conhecer sua origem histórica.
  • Identificar as sete unidades básicas do SI.
  • Reconhecer a importância da padronização das medições.
  • Compreender por que a Topografia utiliza o SI.

1. Por que precisamos de um sistema de unidades?

Imagine que três profissionais realizem a medição da mesma distância utilizando referências diferentes.

⇒ O primeiro utiliza metros.
⇒ O segundo utiliza pés.
⇒ O terceiro utiliza jardas.

Embora todos tenham medido a mesma distância física, os resultados numéricos serão diferentes. Essa situação dificulta comparações, projetos e cálculos.

Para evitar esse problema, tornou-se necessário estabelecer um único conjunto de unidades reconhecido internacionalmente.

Esse conjunto constitui o Sistema Internacional de Unidades.


1.1 Engenharia em Campo

Considere uma obra em que diferentes equipes trabalham simultaneamente.

⇒ Uma equipe realiza o levantamento topográfico.
⇒ Outra desenvolve o projeto estrutural.
⇒ Uma terceira executa a construção.

Se cada equipe utilizasse unidades diferentes sem realizar as devidas conversões, erros de interpretação poderiam comprometer toda a obra. A padronização das unidades garante que todas as informações sejam interpretadas da mesma maneira.


2. O que é o Sistema Internacional de Unidades?

O Sistema Internacional de Unidades é o sistema oficial de medição adotado pela maior parte dos países do mundo. Ele foi estabelecido em 1960 durante a 11ª Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM), organizada pelo Bureau International des Poids et Mesures (BIPM).

Seu principal objetivo é fornecer um conjunto único, coerente e universal de unidades para expressar grandezas físicas. Graças ao SI, uma medição realizada em qualquer país pode ser compreendida e reproduzida em qualquer outro.


3. As sete unidades básicas do SI

Todo o Sistema Internacional é construído a partir de sete unidades fundamentais.

Grandeza
Unidade
Símbolo
Comprimento
metro
m
Massa
quilograma
kg
Tempo
segundo
s
Corrente elétrica
ampere
A
Temperatura termodinâmica
kelvin
K
Quantidade de substância
mol
mol
Intensidade luminosa
candela
cd

Embora a Topografia utilize principalmente o metro e o grau, é importante compreender que todas as demais unidades fazem parte do mesmo sistema.


4. O metro

Entre todas as unidades do SI, o metro possui importância especial para a Topografia. Ele é a unidade utilizada para representar:

  • Distâncias.
  • Coordenadas.
  • Altitudes.
  • Diferenças de nível.
  • Comprimentos de alinhamentos.
  • Perímetros.

Desde 1983, o metro é definido como: O comprimento do percurso realizado pela luz no vácuo durante o intervalo de tempo de 1/299 792 458 de segundo.

Essa definição permite reproduzir a unidade de comprimento com elevada precisão em qualquer laboratório do mundo.


4.1. Curiosidade Histórica

Até o século XVIII, era comum que diferentes cidades utilizassem padrões próprios de comprimento.

A Revolução Francesa impulsionou a criação de um sistema baseado em fenômenos naturais, culminando na definição do metro como a décima milionésima parte da distância entre o Equador e o Polo Norte ao longo de um meridiano terrestre. Com o avanço da ciência, essa definição foi substituída por outra baseada na velocidade da luz, muito mais precisa e reprodutível.


5. Unidades derivadas utilizadas na Topografia

A partir das unidades básicas são construídas diversas unidades derivadas. Na Topografia destacam-se:

Grandeza
Unidade
Área
metro quadrado (m²)
Volume
metro cúbico (m³)
Velocidade
metro por segundo (m/s)
Inclinação
porcentagem (%) ou razão

Essas unidades surgem naturalmente da combinação das unidades fundamentais.


6. E os ângulos?

Uma dúvida comum dos estudantes é: O grau faz parte do Sistema Internacional?

A resposta é não.

No SI, a unidade derivada coerente para medir ângulos planos é o radiano (rad).

Entretanto, o grau (°), o minuto (') e o segundo (") são unidades aceitas para uso com o SI devido à sua ampla utilização em diversas áreas, incluindo a Topografia.

Como praticamente todos os equipamentos topográficos permitem trabalhar com graus sexagesimais, adotaremos essa unidade ao longo do curso, apresentando posteriormente também o conceito de radiano quando ele se tornar necessário.


6.1 Engenharia em Campo

Uma estação total pode medir ângulos em graus, grados ou radianos, dependendo da configuração adotada pelo operador.

Independentemente da unidade escolhida, o fenômeno físico observado continua sendo exatamente o mesmo.

O que muda é apenas a forma de representar numericamente essa grandeza.


7. O SI na Topografia

Durante um levantamento topográfico é comum utilizar:

  • Metro para distâncias.
  • Metro quadrado para áreas.
  • Metro cúbico para volumes.
  • Graus para ângulos.
  • Metros para coordenadas.
  • Metros para altitudes.

A utilização dessas unidades padronizadas garante que os resultados possam ser compreendidos por qualquer profissional.


8. Erros comuns dos estudantes

Alguns equívocos frequentes são:

  • Acreditar que qualquer unidade pode ser utilizada livremente.
  • Omitir a unidade ao apresentar resultados.
  • Confundir grandeza com unidade.
  • Imaginar que o grau faz parte das sete unidades básicas do SI.

9. Exercício resolvido

Um levantamento topográfico produziu os seguintes resultados:

  • Distância: 245 m.
  • Área: 3 250 m².
  • Volume: 520 m³.
  • Ângulo: 35°.

Pergunta: Quais dessas unidades pertencem ao Sistema Internacional ou são aceitas para uso com ele?

Resolução:

  • Metro (m): unidade básica do SI.
  • Metro quadrado (m²): unidade derivada do SI.
  • Metro cúbico (m³): unidade derivada do SI.
  • Grau (°): unidade aceita para uso com o SI, embora a unidade coerente seja o radiano.

10. Exercícios propostos

Questão 1: Explique por que a padronização das unidades é indispensável para a Engenharia.

Questão 2: Liste as sete unidades básicas do Sistema Internacional de Unidades.

Questão 3: Por que o metro é a unidade mais importante para a Topografia?

Questão 4: O grau pertence às sete unidades básicas do SI? Explique.


11. Reflexão

Imagine se cada fabricante de estação total utilizasse uma unidade própria para representar distâncias.

Quais dificuldades isso provocaria na execução de um levantamento topográfico?


12. Resumo da Aula

Nesta aula conhecemos a origem e os objetivos do Sistema Internacional de Unidades, compreendendo sua importância para a padronização das medições científicas e de engenharia. Estudamos as sete unidades básicas do SI, destacando o metro como a principal unidade utilizada na Topografia. Também vimos que diversas unidades derivadas, como metro quadrado e metro cúbico, surgem da combinação das unidades fundamentais e que o grau, embora não seja uma unidade básica do SI, é aceito para uso com ele e amplamente empregado em levantamentos topográficos.



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