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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Ajustamento de Observações Geodésicas: Covariância e Correlação entre Observações.

Em muitos levantamentos geodésicos, as observações não são completamente independentes, pois podem compartilhar fontes comuns de erro. Nessas situações, torna-se necessário analisar a covariância e a correlação entre medições. Compreender essas relações é fundamental para representar corretamente a matriz variância–covariância e garantir resultados confiáveis no ajustamento.


Aula 017 – Covariância e Correlação entre Observações



Objetivos da Aula

  1. Compreender o conceito de covariância entre observações.
  2. Entender o significado físico da correlação.
  3. Interpretar a dependência estatística entre medições.
  4. Relacionar covariância e correlação à matriz variância–covariância.
  5. Avaliar o impacto da correlação no ajustamento geodésico.


1. Observações independentes e dependentes

Nas aulas anteriores consideramos, na maioria dos casos:

Isso significa que as observações são independentes.

Porém, em muitos levantamentos reais, as observações podem ser correlacionadas, ou seja, o erro de uma influencia o erro da outra.


2. Definição de Covariância

A covariância entre duas observações Li e Lj é:

Interpretação:

  • σij > 0 → erros tendem a variar no mesmo sentido
  • σij < 0 → erros tendem a variar em sentidos opostos
  • σij = 0 → observações independentes

Na matriz variância–covariância:

Os termos fora da diagonal representam as covariâncias.


3. Coeficiente de Correlação

Para facilitar a interpretação, utiliza-se o coeficiente de correlação:

Em que:

Interpretação:

Valor de ρ
Significado
0
Sem correlação
Próximo de 1
Forte correlação positiva
Próximo de -1
Forte correlação negativa

4. Origem da correlação em Geodésia

A correlação surge quando observações compartilham fontes de erro.

Exemplos

  • Observações feitas na mesma estação
  • Séries GNSS processadas conjuntamente
  • Nivelamento com o mesmo erro instrumental acumulado
  • Direções medidas a partir de um mesmo círculo horizontal

Nestes casos, assumir independência pode levar a resultados incorretos.


5. Representação na matriz variância–covariância

Se duas observações possuem correlação:

Exemplo:

Essa matriz é:

  • simétrica
  • positiva definida (se fisicamente consistente)

6. Consequências no Ajustamento

Se houver correlação:

  • A matriz de pesos não é diagonal
  • Deve-se usar:

Ignorar correlações pode causar:

  • subestimação ou superestimação das precisões
  • distorção nas variâncias das incógnitas
  • interpretação incorreta da qualidade da rede

7. Exemplo Resolvido

Duas observações possuem: σ1 = 0,005 m; σ2 = 0,004 m; σ12 = 0,000010. Calcular o coeficiente de correlação.

  • Passo 1
  • Passo 2

7.1 Interpretação

Existe correlação positiva moderada entre as observações.


8. Exemplo Proposto

Dados: σ1 = 0,006 m; σ2 = 0,005 m; σ12 = -0,000015. Calcule o coeficiente de correlação.

8.1 Resposta esperada

Clique aqui


9. Conclusão

A covariância e o coeficiente de correlação descrevem a dependência entre observações. Considerar corretamente essas relações é essencial para modelar a matriz variância–covariância e obter resultados confiáveis no ajustamento geodésico.


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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Ajustamento de Observações Geodésicas: Introdução à Matriz Variância–Covariância.

A partir desta aula iniciamos o bloco mais importante para a formulação matricial do Ajustamento de Observações. A matriz variância–covariância é a base para: construção da matriz de pesos (P), propagação de incertezas, precisão das coordenadas ajustadas, elipses de erro, análise de confiabilidade.


Aula 015 – Introdução à Matriz Variância–Covariância


Objetivos da Aula

  1. Compreender o conceito de variância em forma matricial.
  2. Entender o que é covariância entre observações.
  3. Construir a matriz variância–covariância das observações.
  4. Interpretar o significado físico dos elementos da matriz.
  5. Preparar o caminho para a matriz de pesos (P).


1. Variância em forma escalar

Até agora trabalhamos com uma observação:

Para várias observações independentes:

Cada uma possui sua variância:

Para organizar isso de forma sistemática, usamos uma matriz.


2. Covariância entre observações

A covariância mede o grau de dependência entre duas observações:

Interpretação:

Covariância
Significado
σij = 0
Observações independentes
σij > 0
Tendem a variar no mesmo sentido
σij < 0
Tendem a variar em sentidos opostos

Na maioria dos levantamentos de campo, assume-se inicialmente:


3. Definição da Matriz Variância–Covariância

A matriz é definida como:

Em que:

  • Diagonal → variâncias
  • Fora da diagonal → covariâncias

4. Caso mais comum em Geodésia

Se as observações são independentes: Matriz diagonal.

Exemplo típico:

  • Distâncias medidas independentemente.
  • Ângulos medidos separadamente.
  • Observações GNSS de sessões independentes.

5. Interpretação física

A matriz variância–covariância representa:

  • A qualidade das observações.
  • A confiança estatística em cada medida.
  • A estrutura de dependência entre elas.

Ela é o equivalente matricial do conceito de precisão.


6. Relação com a matriz de pesos

A matriz de pesos é:

Ou seja:

  • Variância grande → peso pequeno
  • Variância pequena → peso grande

Se a matriz é diagonal:


7. Exemplo Resolvido

Um levantamento possui três observações independentes:

  • Distância 1: σ1 = 0,005 m
  • Distância 2: σ2 = 0,010 m
  • Distância 3: σ3 = 0,020 m

7.1 Passo 1 – Variâncias

7.2 Passo 2 – Matriz variância–covariância

7.3 Passo 3 – Matriz de pesos

7.4 Interpretação

A primeira observação é a mais precisa → maior peso.


8. Exemplo Proposto

Quatro observações independentes apresentam:

  • σ1 = 0,004 m
  • σ2 = 0,006 m
  • σ3 = 0,010 m
  • σ4 = 0,020 m

8.1 Determine:

a) A matriz variância–covariância ΣL

b) A matriz de pesos P

8.2 Resposta Final Esperada

Clique aqui


9. Conclusão da Aula

  • A matriz variância–covariância descreve completamente a precisão das observações.
  • Os termos diagonais são variâncias; os demais são covariâncias.
  • Para observações independentes, a matriz é diagonal.
  • A matriz de pesos é o inverso da matriz variância–covariância.
  • Este conceito é fundamental para o Método dos Mínimos Quadrados.

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