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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Matemática aplicada a Topografia: Frações.

"Em Topografia, raramente trabalhamos apenas com números inteiros. As frações aparecem sempre que dividimos distâncias, áreas, ângulos ou qualquer outra grandeza."

AULA 10 - FRAÇÕES



Introdução

Quando observamos um levantamento topográfico concluído, encontramos coordenadas, distâncias, áreas e volumes representados por números decimais. Entretanto, por trás desses valores existe um conceito matemático muito mais antigo e fundamental: a fração.

As frações surgiram da necessidade de representar partes de um todo. Muito antes da invenção das calculadoras e dos computadores, já eram utilizadas para dividir terras, repartir colheitas, calcular impostos e resolver problemas de engenharia.

Na Topografia moderna elas continuam presentes, ainda que muitas vezes de forma disfarçada. Sempre que dividimos uma distância em partes iguais, calculamos uma média, determinamos uma escala ou realizamos conversões entre unidades, estamos utilizando o conceito de fração.

Compreender esse assunto é essencial para interpretar corretamente fórmulas, manipular expressões algébricas e resolver problemas de medição.


Objetivos da Aula

Ao final desta aula você deverá ser capaz de:

  • Compreender o conceito de fração.
  • Identificar numerador e denominador.
  • Interpretar o significado físico de uma fração.
  • Realizar operações fundamentais com frações.
  • Aplicar frações em situações relacionadas à Topografia.

1. Intuição

Imagine uma trena de 30 metros. Você precisa marcar exatamente a metade desse comprimento. Sem realizar nenhuma medição adicional, sabemos que a marca deverá ser posicionada em: 30 ÷ 2 = 15 m.

Matematicamente, também podemos escrever:

Agora imagine que seja necessário marcar um quarto da trena. Teremos:

Observe que a fração representa uma divisão.


2. Definição formal

Uma fração é uma forma de representar a divisão entre dois números inteiros, desde que o denominador seja diferente de zero. Ela é escrita na forma:

Em que:

  • a → é o numerador.
  • b → é o denominador.

O numerador indica quantas partes estão sendo consideradas. O denominador indica em quantas partes iguais o todo foi dividido.


2.1 Método do Engenheiro

Como interpretar uma fração

  1. Identifique o todo.
  2. Verifique em quantas partes iguais ele foi dividido.
  3. Observe quantas dessas partes estão sendo consideradas.
  4. Relacione a fração ao problema físico.
  5. Verifique se o resultado obtido é coerente.

3. Elementos de uma fração

Considere:

Nessa representação:

  • 5 é o numerador.
  • 8 é o denominador.

Isso significa cinco partes de um total dividido em oito partes iguais.


3.1 Aplicação em Topografia

Durante um levantamento, um alinhamento possui 240 metros. Se um ponto deve ser implantado a 1/4 do comprimento do alinhamento, basta calcular:

Portanto, o ponto será implantado a 60 metros da origem.


4. Frações equivalentes

Frações diferentes podem representar exatamente o mesmo valor. Exemplos:

Todas representam metade. Isso ocorre porque multiplicamos numerador e denominador pelo mesmo número.


4.1 Engenharia em Campo

Considere uma planta cuja escala foi representada como: 1:500.

Também poderíamos escrever: 2:1000 ou 10:5000.

Embora a representação seja diferente, a relação permanece exatamente a mesma.

Esse é o mesmo princípio das frações equivalentes.


5. Simplificação de frações

Simplificar significa dividir numerador e denominador pelo mesmo número. Exemplo:

Dividindo ambos por 12:

As duas frações possuem exatamente o mesmo valor.


6. Operações com frações


6.1 Adição

Quando os denominadores são iguais:

Quando são diferentes:


6.2 Subtração

Segue o mesmo princípio da adição.


6.3 Multiplicação

Multiplicam-se numeradores entre si e denominadores entre si.


6.4 Divisão

Multiplica-se a primeira fração pelo inverso da segunda.


6.4.1 Por que isso funciona?

Na divisão entre frações utilizamos o inverso multiplicativo porque dividir por um número é equivalente a multiplicar pelo seu inverso. Por exemplo:

O mesmo raciocínio vale para qualquer fração.


7. Frações e números decimais

Toda fração pode ser representada na forma decimal. Exemplos:

Na Topografia, normalmente trabalhamos com números decimais, mas compreender sua origem fracionária facilita a interpretação de diversos cálculos.


7.1 Engenharia em Campo

Durante o cálculo de um volume de corte, um software informa: 12,75 m³. Esse número também pode ser interpretado como: 12 + 3/4 m³.

Essa equivalência ajuda a compreender diversos procedimentos de cálculo utilizados em projetos de terraplenagem.


8. Erros comuns dos estudantes

Os erros mais frequentes são:

  • Somar numeradores e denominadores diretamente.
  • Esquecer de calcular o mínimo múltiplo comum antes da adição.
  • Simplificar apenas o numerador ou apenas o denominador.
  • Inverter a fração errada durante a divisão.
  • Interpretar a fração como dois números independentes e não como uma razão.

9. Exercício resolvido

Um alinhamento possui 180 metros. Um marco deve ser implantado exatamente em 2/5 desse comprimento.

  • Resolução

O marco deverá ser implantado a 72 metros da origem.


10. Exercícios propostos

Questão 1: Simplifique:

Questão 2: Calcule:

Questão 3: Calcule:

Questão 4: Um terreno possui comprimento de 320 metros. Determine:

a) metade.
b) um quarto
c) três quartos.


11. Reflexão

Sempre que encontrar um número decimal em um relatório técnico, pergunte-se: Que fração deu origem a esse valor?

Essa simples pergunta ajuda a compreender muito melhor diversos cálculos realizados na Engenharia.


12. Resumo da Aula

Nesta aula estudamos o conceito de fração, compreendendo que ela representa uma divisão entre duas quantidades e pode ser interpretada como parte de um todo ou como uma razão. Aprendemos a identificar numerador e denominador, reconhecer frações equivalentes, simplificar frações e realizar operações de adição, subtração, multiplicação e divisão. Também vimos que as frações estão presentes em diversas atividades da Topografia, como escalas, divisão de alinhamentos, cálculos de áreas, volumes e conversões de unidades.



AULA 09 Índice de Aulas AULA 11
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domingo, 23 de fevereiro de 2020

Topografia: Escalas


Desenhar em uma planta é a operação que consiste em traçar no papel uma figura semelhante à do terreno levantado. Os ângulos são desenhados com sua verdadeira grandeza natural, já as distâncias são reduzidas segundo uma razão constante.

Esta razão constante, relação entre uma linha no desenho e a sua homologa no terreno, é denominada redução da planta. Indica-se a escala por uma fração de forma 1/M. Normalmente são empregados três tipos de notação para a representação de uma escala.

E = 1/M
E = d/D
1/M = d/D


Em que:

E = Escala;
M = Módulo da escala;
d = distância no desenho;
D = Distância real.

Esta relação permite transformar uma distância medida no desenho em sua homologa no terreno e vice-versa.

Vamos a dois exemplos para demonstrar como funciona esta relação.

Exemplo 01: Em um desenho na escala 1:10.000, foi realizada a medida do comprimento de uma via, obtendo-se o valor de 10cm, qual o comprimento real desta via?

- Vamos lá a solução. Primeiro vamos discriminar quem é quem na relação:

E = 1/M = 1:10.000
d = 10cm
D = ?

- Sabendo que 1/M = d/D, facilmente realizamos o cálculo da distância real da via.

1/100.000 = 10cm/D
1*D = 10.000*10cm
D = 100.000cm = 1.000m = 1km

Exemplo 02: Uma ponte de 500m é representada na planta por um segmento de 5cm. Qual a escala desta planta?

-Temos que:

d = 5cm;
D = 500m

- A primeira ação é transformar as distâncias para a mesma unidade, no caso aqui, deixaremos tudo em metros.

d = 5cm = 0,05m
D = 500m

- Agora vamos a relação:

1/M = d/D
1*D = M*d
M = D/d

- Desta forma:

M = 500/0,05
M = 10.000 = módulo da escala.

- Então E = 1:10.000

Agora vamos falar sobre o erro de grafismo. O erro de grafismo (eg) é uma função da sensibilidade visual, habilidade manual e qualidade do equipamento de desenho. Na NBR 13133 (ABNT, 1994) é dito que o erro de grafismo admissível na elaboração do desenho topográfico para lançamento de pontos e traçados de linhas é de 1/5mm (0,2mm) e equivale a duas vezes a acuidade visual.
Este valor representa igualmente a espessura limite mínima que deve ter um ponto sobre a planta, para que o mesmo possa figurar no terreno. Em outras palavras é o tamanho mínimo que uma feição deve ter na planta, de modo que possa ser vista, qualquer elemento que seja representado por um valor menor que este deve ser substituído por um símbolo.

Sabendo disso, em função do erro de grafismo é possível determinar a precisão da escala da carta/planta topográfica, ou seja, o menor valor que pode ser representado em verdadeira grandeza em uma determinada escala.

pe = eg*M

A seguir temos o valor da precisão da escala (pe) para diferentes escalas usuais para plantas e cartas topográficas, corográficas e geográficas.

Escala 0,2mm*M Precisão
1:100 0,2mm*100 0,020m
1:200 0,2mm*200 0,040m
1:250 0,2mm*250 0,050m
1:500 0,2mm*500 0,100m
1:1.000 0,2mm*1.000 0,200m
1:2.000 0,2mm*2.000 0,400m
1:1.250 0,2mm*1.250 0,250m
1:2.500 0,2mm*2.500 0,500m
1:5.000 0,2mm*5.000 1,000m
1:10.000 0,2mm*10.000 2,000m
1:50.000 0,2mm*50.000 10,000m
1:100.000 0,2mm*100.000 20,000m
1:200.000 0,2mm*200.000 40,000m
1:500.000 0,2mm*500.000 100,000m
1:1.000.000 0,2mm*1.000.000 200,000m

Em função da precisão da escala, quando se deseja estimar qual a escala apropriada para representar todos os elementos da área ao qual deseja-se mapear basta utilizar a equação:

M = pe/0,2mm

Ou seja, esta equação nos dá o módulo da menor escala que se deve adotar para que todos os elementos tenham representação na carta ou planta.

Exemplo 03: Foi realizado um levantamento de um bairro, cuja largura das vias é de 10m, qual a escala apropriada para que estas vias tenham representação na planta?

- Temos que a pe = 10m.

- Transformando os elementos para a mesma unidade temos que 10m = 1000cm = 10.000mm

- Assim substituindo na equação:

M = 10.000mm/0,2mm
M = 50.000
E = 1:50.000

Quando a escala é representada na forma 1/M ela é dita numérica, porém, nem só de forma numérica uma escala pode ser expressa, ela também pode ser representada graficamente.

A escala gráfica é uma figura geométrica representativa de uma determinada escala numérica (Comastri, 1977). Tem a vantagem de deformar-se com a planta, isto é, se a planta for reduzida ou ampliada por um processo de impressão por exemplo, a escala gráfica também será (Veras, 2012).

A Escala Gráfica é utilizada para facilitar a leitura de um mapa. Constituída de um segmento de reta subdivido de modo a mostrar a relação entre um elemento no desenho e seu homologo no terreno. Ou seja, de acordo com IBGE (1998) é a representação gráfica de várias distâncias do terreno sobre uma linha reta graduada.

As escalas gráficas podem comportar uma subdivisão em: Escala Gráfica Simples, que são usadas na Topografia e Escalas Gráficas Transversais, que são usadas na Geodésia.

Escala gráfica simples.

Escala gráfica transversal.

Vale salientar que a construção da escala gráfica depende do conhecimento prévio da escala numérica da planta ou carta.

Com a utilização da escala gráfica é possível a realização de transformações de dimensões gráficas em dimensões reais sem a necessidade de cálculos, pois, basta medir a distância na carta/planta, transportar esta distância para a escala gráfica e ler o resultado.

Elementos da escala gráfica

  • Título: que é a fração 1/M indicativa da escala numérica.
  • Divisão principal ou unidade: grandeza tomada para representar a unidade de comprimento escolhida no desenho.
  • Talão: que corresponde à unidade dividida em partes iguais de modo a proporcionar uma leitura mais precisa dos elementos medidos, é representado à esquerda da escala.


Exemplo 04: (Veras, 2012) Construir uma escala gráfica simples cujo título é 1:2.000 e que possibilite determinações gráficas (leituras) de 40 e 40 metros.
Dados:
Escala: 1:2.000
Divisão Principal: 40m

1º Passo: determinar o comprimento gráfico que representa 40m na escala dada.

1/2000 = d/40m ⇒ d = 40m/2000 = 0,02m = 2cm

2º Passo: O talão é obtido, dividindo-se o valor da divisão principal por 10.
2cm/10 = 0,2cm = 2mm

No caso específico, cada divisão do talão (2mm) representará 4m.
Exemplo 05: Construir uma escala gráfica simples cujo título é 1:2.000 e a divisão principal possui comprimento gráfico de 1cm.
Dados:
Escala: 1:2.000
Comprimento Gráfico da Divisão Principal: 1cm

1º Passso: Determinar a divisão principal em metros.

1/2000 = 1cm/D ⇒ D = 1cm × 2000 = 2000cm = 20m

2º Passo: Talão.

1cm/10 = 0,1cm = 1mm

No caso específico, cada divisão do talão (1mm) representará 2m.

REFERÊNCIAS

CARDÃO, Celso. Topografia. Belo Horizonte: Ed. Arquitetura e Engenharia, 1970.
COMASTRI, J. A. Topografia Planimetria. Viçosa: IUUFV, 1977.
ESPARTEL, Lélis. Curso de Topografia. Rio Grande do Sul: Ed. Globo, 1980.
VERAS, R. C. Notas de Aula. Teresina: UFPI, 2012.

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